quarta-feira, novembro 09, 2005

Janelas e lembranças

Ouve passos de criança percorrendo o ambiente.
- Quê?
- Onde?
- Nada vejo!
- O sono me toma? ... ou estou enlouquecendo?
Repousa sobre o travesseiro e logo o telefone toca. Mas... antes que se levante, silencia.
- Estranho. Em noites chuvosas, quase sempre, encontro meus fantasmas. É assim desde os tempos de menino. Tenta se ater ao silêncio da noite para que seus inimigos se esvaiam e possa, finalmente, repousar.
- Quê?
- Tenho certeza! Ouço passos de criança a correr pelo quarto!
Percorre com os olhos, todos os cantos de paredes e de móveis e ...
– Nada vejo! De fato, devo estar enlouquecendo. - Há alguém aí?
Ninguém responde.
E esta chuva que não passa e ainda zomba de tanta solidão...
- todos se foram. Meus filhos se foram... e com esses meus netos.... Nada he resta! Nada! Senão um quarto vazio.
Sorte que tem uma enorme janela por onde pode ver o céu
-... as noites ... e os dias... que muitas vezes me dói a vista. Mas, sempre gostei de grandes janelas. Desde os meus tempos de criança!!
- Quando casei pela primeira vez, tratei logo de construir meus próprios janelões de vidro; já na segunda união, não tive a mesma sorte. O amor chegou e se foi (De certo não se acabou ... mas, se perdeu no tempo) entre janelas pequenas de casebres alugados.
Hoje, só resta um quarto... e tudo o que tem, é o que ali dentro se encontra. Nada mais! Nenhum sonho, nem lamento... nenhuma espera.
- Quê? Outra vez ouço passos! Mas... espera!...
(risos silenciosos)
- É aquele pobre bichano de novo. Não tem onde morar e por vezes percorre o forro do meu quarto.
- De certo não estou enlouquecendo e sim confundindo os sons por conseqüência da perda de audição