sexta-feira, outubro 14, 2005

Lavoura de Penar


No meu sertão a coisa já passou de preta
Rio tá seco e o gado não suporta à seca
Bola-de-gude já não vende pro menino
Cai no buraco quando vai soando o sino

É mãe na fila de filho pra batizar
E pai batendo na terra pra enterrar
Mistura o pó com a gota que lhe cai do olhar
Mistura de vida com gosto de penar

Vem pra cá! Vai ver que o mundo aqui parou
Que a coisa não desenrolou
E não dá nem para acreditar

Se a serpente que controla o mundo inteiro
Visse a seca de janeiro
Ia picar em outro lugar

Ver gente humilde, gente boa e acolhedora
Vivendo de uma lavoura de enterrar seu pessoa
Dói no meu peito e no peito de quem vive
Para sofrer mas não decide
A vida que escolhe levar

No meu sertão a coisa já passou de preta
Rio ta seco e o gado não suporta à seca
Bola-de-gude já não vende pro menino
- Presta atenção que vai soar de novo o sino!!!

segunda-feira, outubro 10, 2005

Dança

Tento te buscar entre os meus versos
Tua forma,
Teus gestos,
O teu cheiro.
Tua serenidade diplomática...
Por vezes,
Teu riso moleque.
(... teu cheiro),
o balançar dos cabelos...
Tento te alcançar para te rever;
Para te reter
...Em mim.
Tento te buscar
(Tento te buscar!)
e por fim te alcanço.
Tento te servir...
-ai que não me cansa
o me imaginar,
o te imaginar,
e nos colocar
numa mesma dança.