sexta-feira, agosto 19, 2005

Soma de pó e chão

Foi assim...
Ainda assim, bem menino
Quando da primeira vez
Me deparei com o espelho
E encontrei meu olhá
Percibi qui
minha estrada
Tava fechada na sina
De dois pés, bem calejado
Quatro morte e seis pená,
Cinco lembrança mal quista
Um padicê e *três matá,
Minha matula nas costa
E a soma de meu chorá

Quando o dia isclariceu
A seca tomava a vida
A sorte num si incontrava
Num ixistia
saída
Mermo assim, ( - Di timuzia!!)
Meu velho pai, pra salvá
Os cinco qui inda restava
Quis outra terra buscá

Era o início da visage
Nu ispelho
riflitida
Qui
só tristeza firmava
Na dicisão da partida
Era barro dia e noite
Pés cansado noite e dia
Nenhuma casa na istrada
Era isperâça vazia

Aos pôco a visão findava
Como preço dos pecado
Quem cometeu? Num si sabe!!
Mas acho qui fui inganado
...qui dus seis sobraram dois
- E a dô nu peito rasgado!!

Pra quem perde a mãe tão cedo
E três mano no istradão,
Tudo assim, du mermo jeito:
Falta di água e di pão...
A morte num faz mars medo
A vida perde a razão
Só resta o passo por passo
Purquê voltá num dá não!!

Meu velho pai, já cansado
Foi o último a tombá
Suas últimas palavras??
- Num disista di buscá!!!
Mas isso eu num faço nem morto!!
Qui um di nós tem qui chegá!!
Perdi o medo du iscuro
Dei força no caminhá
Qui
agora, é questão di honra
Incontrá essi lugá
Si o pai dissi qui ixistia...
Ele vai que chegá

E pra finalizá a istória
Da soma de pó e chão
Que, infilizmente, é constanti
Pras bandas do meu Sertão...
Num si aveche no meu verso
rimado no *três matá
(Que mesmo a istória mais triste
eu prifiro aliviá!)
Isso foi divido a fome:
- Duas pata e um sabiá!!!

terça-feira, agosto 16, 2005

Poema sem título I


Queria tanto e tanto te queria
Que mal podia esperar
O amanhecer de outro dia
Para encontrar-te de novo
Rever teus ditos na tela
Me por à tua janela
Beber de tua alegria
E alimentando teus sonhos
Na imagem de bela dama
Seria assim em tua cama
O som de teus travesseiros
Te enfeitiçando em saudade
Doando versos ligeiros
Compondo as frases mais belas
Por tua literatura
Que já seria minha cura

Aos teus rabiscos certeiros.