quinta-feira, agosto 11, 2005

Quanto vale um cantadô??


Eu sei. Eu sei!!Todo mundo já conhece este texto mas... estou sem tempo para escrever coisas novas então...vamos manter o clima nordestino por enquanto, certo?

Bem... este texto, graças ao Sr. Edgar Boges, foi parar num concurso de poesias e até chegou a ser classificado (no COMPOESI 2005)
Ps.: Fico devendo o nome das figuras nas fotos, ok?
Quanto vale um cantadô
Neste mundo de meu Deus?
Lhe pregunto professô:
Quanto vale um canto meu?

Quanto vale uma cantiga
Improvisada e certêra;,
Na boca de um repentista
Na roda da cirandêra?

Quanto vale a embolada
Num côco que faz rimá;
Uma dupla de viola
Um pandeiro pra marcá?

Quanto vale um cantadô
Neste mundo de meu Deus?
Lhe pregunto professô:
Quanto vale um canto meu?

Quanto vale essa moeda
Sem cunho comerciá;
Que não se ganha na iscola
Que nem Hino Nacioná?

Quanto vale a praça armada
De roda pra admirá?
A cutura dita em prosa
O povo a tistimunhá?

Quanto vale um cantadô
Neste mundo de meu Deus?
Lhe pregunto professô:
Quanto vale um canto meu?

Esse canto é verdadêro
Que canto de si a dó;
Do sufrimento do povo
Do padicê : chão em pó...

Da isperança e da luta
Contra a fome nesta guerra;
Canto o meu povo sufrido,
E canto a sede de terra!

Quanto vale um cantadô
Neste mundo de meu Deus?
Lhe pregunto professô:
Quanto vale um canto meu?

Quanto vale a minha voz
Disafinada e sem graça?
Que num si aquieta num canto
Por timosia e pirraça!?

A preguntá pro dotô
Palitosado e istudado
Que agôa o Sertão com a sêca
Pra num perdê o rinado...

Quanto vale um cantadô
Neste mundo de meu Deus?
Lhe pregunto professô:
Quanto vale um canto meu?

segunda-feira, agosto 08, 2005

Rima pernambucana




"Mais um textinho encontrado, ao acaso, durante a arrumação do computador. Este é bem antigo mas aproveito para, humildemente, oferecer aos amigos pernambucanos."
Bato verso na ponta de Pernambuco
Rimando branco e crioula
Ampola dada a maluco
Só pra encarar o destino
Na prosa do pescador
Vou em quarteto e oitavas
Bato ganzá e agogô
No traço pernambucano
sou voz do maracatu
Na pisada vou somando
meus motes de Norte a sul
Neste pandeiro de artista
Da praça 13 de Maio
Na veia de repentista
Recebo beijo e desmaio
Mas só se for brincadeira
Pois cantar é minha sina
Pego Lula em Asa Branca
Pego Elba em Cajuína
Batendo à porta do povo
Para espantar mal olhado
Como da manga o caroço
Se o osso já tá chupado
E não me perco na estrada
Que a lama é o choro do barro
Sou eu cantador do povo
Pernambucano arretado !!