segunda-feira, outubro 03, 2005

Estou de volta

Fotos tiradas no dia da mudança. Eu estava exausta.

Estou de volta!! Estava com saudades !! De novidade?
Finalmente me mudei da casa antiga para uma beeem melhor, com um quintal enorme que tem mangueira, mamoeiro, aceroleira, chás e um lindo pé de algodao. Estou me sentindo ótima.
Vamos de poesia, agora???
A resposta de Carlota

Sou aquela que arrumou tua lua
Pra dançar por tuas noites, nua
De preceitos e de leis mutáveis

Sou a que canta em tua rua
Ao cobrir-te da verdade crua
Que te despe para te alcançar

Que te encanta a alma e te despenteia
Que te alivia e (-sim!) Te tonteia
Que te droga e doma, por te desejar

Falo manso. Se me pedes dito:
Posso ser abrigo, algo assim de mito
Posso atar-te em sítio, ou te libertar

Mas... Se esbravejas, se ranges meu nome
Enfim, se te consomes de raiva (-ou de sede?)!
Vou dando risada (de vermelho-espanto!)
Te encosto num canto te domo de novo

Zombo de tua fúria
Sou dona da festa
Te faço refém
Te enterro na praia
Te bebo no lago... Na mesa do bar
-te pego! Te pego... Te escrevo em meus veios
Te dobro os joelhos (faço delirar!)
Até que te canses... Que durma em meus braços
Mas, antes, te laço
Pra recomeçar.

Sou também o dia que pede teu canto
Sou, na noite, o manto a espantar teu frio
Sou a brisa leve que sopra em teu rosto
Te alimenta em gosto de adorável cio

A que faz teu pranto transformar-se em riso
E, se for preciso, a que te levanta
Que adivinha os sonhos, te alimenta o vício
Que te dá o início, a que te acalanta

Meu poder confunde o distinto moço
(que se joga ao poço pra me decifrar)?
Sou mulher, - bem sabes! Puro sentimento
Mistério que o vento não revelará

Sendo assim, descansa dessa agonia
Ouve a melodia sempre a te guiar
Que te vira a alma ao som de um bolero
Que te doa ao clero pra te emancipar.


Escrevi este texto depois de ter lido uma linda poesia (que nao foi escrita para mim!!mas...) do poeta Edgar Borges que, certamente merecia resposta.
Tempos depois ambas foram unidas e transformadas em uma crönica para concorrer ao premio Rumos Itaú de 2004, na categoria Audio-visual.
Nao fomos classificados mas... a obra vive.
Confiram a outra poesia no Crônicas da Fronteira.